Vamos falar sobre suicídio?

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Foto: We Heart It

Estive em contato com o tema suicídio por muitos meses. Já explico o motivo: foi o tema do meu Trabalho de Conclusão de Curso. Li diversos livros, assisti inúmeros documentários e analisei alguns manuais da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). O que eu quero dizer com isso, é que escrevo esse texto com embasamento teórico – logo, não é apenas a minha opinião.

Os números de suicídio no Brasil e no mundo são assustadores. A cada 40 segundos, uma pessoa se mata. São mais de 800 mil casos por ano. Em termos proporcionais (levando em consideração o número de habitantes), nosso país é o oitavo com o maior número de suicídios. Então, tirar a própria vida não é algo incomum. As pessoas apenas não falam sobre isso.

Cerca de 90% das pessoas que se suicidam têm algum transtorno psicológico. Mesmo assim, o suicídio nunca é resultado de um único fator. É importante ressaltar que pensar em suicídio faz parte da natureza humana. Em um sala com 30 pessoas, pelo menos 5 delas já pensaram em se matar. Chocante, não é? Mas é isso que diversos estudos na área apontam.

Com a popularidade da série 13 Reasons Why, da Netflix, e com os casos de suicídio registrados devido ao Desafio da Baleia Azul, o tema nunca esteve tão “em alta”. Você certamente deve ter visto diversas piadas sobre o desafio e milhares de críticas à série. Isso nos mostra o quanto o tema suicídio ainda é um tabu, e como as pessoas precisam ser conscientizadas.

Suicídio não é piada e muito menos falta de surra. Fazer brincadeiras com um assunto tão sério diz muito sobre o caráter de alguém – e isso não tem nada a ver com “geração mimimi”, ok? A internet está cheia de informações prejudiciais às crianças e adolescentes e isso não se enquadra apenas no tema suicídio. Apesar disso, nunca esqueça que a web também é fonte de conhecimento, e sempre pode ser utilizada para incentivar atitudes que promovam o bem e valorizem a vida.

É preciso ficar atento aos sinais do comportamento suicida e mostrar ao indivíduo os tratamentos disponíveis, que irão ajudá-lo a melhorar. Acima de tudo, é necessário ouvir as pessoas, sem julgamentos. Essa é a hora de exercer a famosa empatia, pois você nunca sabe o que o outro está passando. Não subestime o sofrimento alheio.

A mídia e o suicídio

As discussões sobre a série também colocaram em foco a maneira com que a mídia vem tratando o suicídio. Afinal, falar sobre o tema pode incentivar outras pessoas? Não, amigos – desde que a abordagem utilizada seja a correta. Por isso, faz-se necessário, ao final de cada reportagem, inserir algumas dicas de como identificar comportamentos suicidas e indicar lugares onde o indivíduo pode buscar ajuda.

É importante ressaltar que 13 Reasons Why não está colocando ideias na cabeça das pessoas (vocês já aprenderam que o suicídio nunca é resultado de um único fator). A série está fazendo justamente o contrário: ela fez com que a procura pelo Centro de Valorização da Vida (CVV) crescesse 445%. Isso é incrível!

As últimas semanas colocaram em pauta um tabu histórico, e as discussões nas redes sociais só comprovaram que as pessoas têm muito o que aprender sobre o tema. Por isso, deixo aqui o link de alguns materiais que utilizei durante o TCC, e que foram essenciais para que eu compreendesse o assunto e me libertasse de todo e qualquer preconceito.

Também aproveito esse texto para dizer que estou disponível para qualquer pessoa que precise de um ombro amigo. Boa leitura!

Preventing suicide: a global imperative

Falando abertamente sobre suicídio

Suicídio: informando para prevenir

O Suicídio

O que é suicídio

Suicídio – Trama da Comunicação

Imprensa e suicídio

Suicídio por contágio – A maneira pela qual a imprensa trata a morte voluntária

Prevenção do suicídio: Um manual para profissionais da mídia

Manual para a imprensa: boas práticas de comunicação e guia com recomendações para um texto claro e esclarecedor sobre doenças mentais e psiquiatria

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