Comet e suas reflexões acerca do amor

Às vezes um clichê nos cai bem. Gostamos de acreditar que, eventualmente, tudo dará certo. Os clichês nos dão uma ideia de que coisas improváveis podem sim dar certo, mas muitas vezes nos cegam – porque a vida real está longe de ser um romance do Nicholas Sparks.

Se você está cansado dos clichês e deseja uma boa dose de realidade, Comet (2014) é o seu filme. O romance nada convencional, estrelado por Justin Long (Dell) e Emmy Rossum (Kimberly), conta a história de um relacionamento durante seis anos. Este é um daqueles enredos que despertam mil sensações, enquanto a relação complicada dos protagonistas faz uma verdadeira viagem em universos paralelos, com peças que vão se encaixando aos poucos.

Você acredita em amor à primeira vista?

“É, eu provavelmente vou me apaixonar por você”.

Não sei se isso realmente existe ou é uma invenção cinematográfica (é uma discussão para outro texto), a questão é que Dell logo se apaixona por Kimberly. Amor à primeira vista, simples assim. Ironicamente, ele não acredita no amor, mas isso não impede que tente convencê-la a namorar com ele.

Por que não é um romance clichê?

É um filme que transborda a realidade dos relacionamentos. Em Comet, os dois têm defeitos que são expostos e nenhum dos atores é caracterizado como mocinho ou vilão. É colocado em foco o desgaste, as brigas, as coisas que nunca deveríamos ter dito ou feito e também as coisas que nos arrependemos de não fazer em uma relação. Aquele ciclo viciante, o medo de perder quem amamos, mas a facilidade que temos em ser tão cruéis sem ao menos perceber.

Mesmo que o relacionamento dos dois seja extremamente problemático, Dell ainda pergunta à Kimberly: por que parece tão impossível te esquecer? Logo após, o ator Justin Long protagoniza uma das cenas mais lindas que vi nos últimos tempos. Seu manifesto dolorosamente belo é a tradução do que é sofrer por nossas escolhas. Dell chora e diz que não pertence a um mundo onde os dois não terminam juntos (nessa hora, e em muitas outras, eu choro também).

“Existem universos paralelos lá fora onde isso não aconteceu. Onde eu estava com você e você estava comigo. E qualquer que seja esse universo, esse é onde o meu coração vive.”

Sobre aquela história de segurar a mão de alguém

Em um encontro casual, algo que é aparentemente simples, uma das cenas mais fortes do filme acontece. Não sei se é por eu amar os pequenos detalhes, mas quando Kimberly segura a mão de Dell, algo acontece. Você sente a aflição e o peso que aquela ação tira dos ombros dos protagonistas. É como se finalmente eles estivessem onde gostariam de estar.

É como quando você ama tanto alguém, que abraçá-la ou simplesmente segurar sua mão, tira toda aquela dor de seu peito. Eu não conseguiria explicar essa sensação.

Sobre amor e mágoas

A história do casal é cheia de dor e sofrimento, mas também há muito amor entre eles. A pergunta que o filme nos faz indiretamente é: será que a gente precisa passar por relacionamentos complicados? E se precisamos mesmo, qual é o propósito disso? Ninguém nunca vê vantagens em sofrer, não é mesmo?

“Se você é capaz de fazer escolhas que intencionalmente machucam outra pessoa, isso não é amor”.

Comet é um filme essencial para a vida.

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