Tecendo a história

Foto: Google Images

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Caminhar pelo Museu da Hering em Blumenau (SC) é como fazer uma viagem pelo tempo. Cada pedacinho do local parece transbordar história e me peguei tentando imaginá-las várias vezes. Fomos recepcionados pela mediadora de história do museu, Hanelore Sandner Campregher. Claro que foi preciso pedir que ela soletrasse seu nome e não bastasse isso, não consegui acompanhar o ditado e precisei conferir todas as letras com meu amigo. Todos esses elementos contribuíram para a construção de uma atmosfera histórica e uma visita acadêmica nunca foi tão divertida.

O museu é composto por quatro salas temáticas bem interativas. Na primeira parte do tour, sentamos em vários banquinhos coloridos para assistir a um vídeo sobre Blumenau colônia. Um pouco da história da nossa cidade, mesclada com a dos irmãos Hermann e Bruno Hering, fundadores da Companhia Hering, foi contada. Em 1878, Herman Hering veio da Alemanha e começou a produzir camisetas após comprar seu primeiro tear em Joinville (SC). A família era grande: Hermann tinha sete meninas e três meninos e todos ajudavam nos negócios. Seu irmão Bruno, ia de porta em porta vendendo os produtos para comerciantes.

Tudo ia bem. Os irmãos adquiriram máquinas, contrataram funcionários e criaram uma vila operária. Em 1880, o rio afoga seus sonhos com uma grande enchente. “Muito se aprende com as tragédias. O rio que ensina, deixou suas marcas”. Essa frase foi dita no vídeo e traduz a luta de Hermann e Bruno para reconstruir sua empresa. Isso não deixou de ser um aprendizado, os dois mudaram de endereço e aprenderam a conviver com o melhor e o pior da natureza. Não pude deixar de lembrar do povo de Blumenau, que sempre sofreu com enchentes ocasionadas pelo Rio Itajaí-Açu, mas nunca desistiu da cidade, assim como a família Hering.

Blumenau: do Brasil e da Alemanha

O vídeo se encerra com uma frase que vale a pena ser mencionada: “Blumenau dos sonhos, das mãos que trabalham. Do Brasil e da Alemanha”. Após essa pequena apresentação, observei a primeira sala com atenção. Nela havia vários tipos de algodão em pequenos recipientes, máquinas de costuras antigas e dois teares. As paredes eram cobertas com escritos e fotos que contam a história da Hering, em uma verdadeira viagem no tempo, como mencionei anteriormente.

Um quadro que chamou minha atenção foi o primeiro modelo de camiseta produzido pela Hering em 1910. Ela era de malha e linho, sem cor alguma, com uma espécie de babador – que servia para aquecer o pulmão no inverno. Tudo isso ficava por baixo da roupa, funcionava como peça íntima e não tinha elasticidade alguma. Conforme caminhamos, percebemos uma grande mudança em 1966, onde a camiseta não era mais roupa íntima e sim, um símbolo da moda.

Algo impressionante é o tear manual circular francês datado de 1889, que é a peça mais antiga do museu. Ele possui 1.456 agulhas e com aproximadamente 13 horas trabalhadas, produzia no máximo 10 kg de malha. Atualmente, um tear automático produz 17 a 20 toneladas de malha por dia. Ainda bem que os tempos mudam, não é? Os visitantes podem mexer a máquina como se estivessem trabalhando e essa interação tornou a visita mais divertida. Às vezes até esquecia que estava em um museu.

“A partir daqui, quem desenha essa história é você”

Passamos pelas outras salas. Um painel com depoimentos de funcionários estava à disposição dos visitantes, que podiam clicar em suas fotos a fim de ouvir o que eles tinham a dizer sobre a Hering. Camisetas com estampas da Disney estavam expostas em gavetas azuis e uma bela frase que não consegui memorizar (ou anotar), estava escrita em uma parede preta. Andando por um corredor estreito, vimos várias peças da campanha “O câncer de mama no alvo da moda”, que ajuda o IBCC – Instituto Brasileiro de Controle do Câncer. A cada camisa vendida, R$ 6,50 é doado ao instituto.

Descemos por uma escada antiga e quando ouvi a música, soube que seria minha parte favorita da visita. Já fui ao museu em outras duas oportunidades, mas algo foi diferente dessa vez, embora eu não saiba dizer exatamente o quê. O local estava escuro e um vídeo que mostrava as transformações da moda desde 1960 até 2000 estava passando. Alunos curiosos correram para espiar em uma fechadura com vários buraquinhos coloridos, mas foram orientados a assistir o vídeo primeiro. Cada época da moda foi exemplificada com artistas e ícones de gerações. Mesmo eu que não gosto desse assunto, achei incrível.

A disputada fechadura possuía buraquinhos onde você podia ver vários catálogos de roupa íntima de campanhas da Hering. Posso dizer com certa certeza que as meninas adoraram essa parte da visita. Do outro lado da sala, havia vários vídeos que mostravam as etapas de produção dos produtos, desde o corte da malha até as camisetas prontas nas lojas. Ao final da visita, fomos levados até uma sala onde o visitante pode trazer uma camisa e criar uma estampa para ela gratuitamente, mas eu fiquei mesmo interessada em uma televisão que passava todas as propagandas da Hering desde os anos 70 até 2000.

Fico com a lembrança de um jardim suspenso que a monitora comentou com minha turma. Sei que quero voltar lá para conhecê-lo. Sei também que cada parte daquele museu conta uma história – uma história de sucesso, mas acima de tudo de luta e coragem. Saio de lá mais inspirada, mas nunca deixando de imaginar as situações ali contadas. Despeço-me de Hanelore Sandner Campregher e sigo em frente. Vou desenhar meu caminho

*Texto redigido para a disciplina de Jornalismo de Revista.

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