O que vou ser quando crescer?

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É na infância que descobrimos nossas preferências e traçamos o caminho que queremos seguir. Descubra os planos de uma criança que tem o esporte como sua maior paixão

Quando crianças, algumas meninas gostam de colocar um belo vestido cor-de-rosa e dançar balé. Outras preferem tirar fotos, roubar o salto da mãe e fingir que são modelos. Os meninos não são diferentes: alguns botam a bola no pé e imaginam que são jogadores. Outros correm pela casa fazendo barulho de sirene com a boca e viram bombeiros. Longe de tudo isso, estão aquelas crianças curiosas – que escrevem pelas paredes da casa e deixam a mãe louca. Essas são as jornalistas.

João Guilherme tem apenas 12 anos, mas já definiu seu futuro: vai ser jornalista esportivo. Talento pra isso ele já tem – é curioso, sabe tudo sobre futebol e escuta a conversa de todo mundo, sempre disfarçando muito bem. Quando criança, amava os animais e achava que seria médico veterinário. Na medida em que foi se afastando dos bichos, encontrou o esporte e desde então foi uma verdadeira confusão. Aos três anos de idade, declarou-se torcedor do São Paulo, por causa do avô. Aos quatro, corintiano por influência da mãe. Com nove anos, virou flamenguista e com dez, voltou a torcer pelo tricolor paulista, prometendo não mudar mais de time.

Desde que aprendeu a falar sobre futebol, João segue todos de sua família procurando alguém para falar sobre as últimas novidades no mundo esportivo. Quando pergunto se quer me conceder uma entrevista falando sobre sua paixão, ele logo se anima de uma forma que só uma criança consegue. Seu sorriso se instala em seu rosto e subitamente sei que escolhi a pessoa certa para conversar.

Traçando o caminho

João Guilherme define o esporte como algo onde você se liberta e deve escolher a atitude correta. “Também é onde as pessoas aprendem a trabalhar em equipe”, conta. Ele atua como zagueiro em uma escola de futebol em Blumenau, Santa Catarina. Dedicado, treina duas vezes por semana e em dias de jogo, trata de colocar sua camisa do Chelsea ou do São Paulo e vira craque. O garoto me conta que quando está jogando, tudo é muito emocionante, pois ele está arriscando tudo – ou se esforça, ou passa vergonha.

A primeira vez que o vi jogar, era um domingo de manhã. O tempo estava nublado e o vento bagunçava meu cabelo. Apesar do sono arrasador, fui até sua escola para torcer por ele. João estava nervoso, mas quando me viu abriu um sorriso aliviado, como se dissesse: “que bom que você veio”. O clima de tensão estava no ar, risadinhas e provocações persistiram durante todo o tempo, mas o garoto mostrou-se calmo.

O primeiro jogo foi duro e seu time perdeu de 2 a 1. Percebi o nervosismo de João a cada vez que ele pegava na bola. Sabia que estava com medo de falhar na minha frente, mesmo que eu não me importasse com isso. Quando ele sentou ao meu lado, mencionei alguns pontos que ele poderia melhorar e deu certo. No segundo jogo, seu time ganhou de 2 a 1 e finalmente ele comemorou como o campeão que sempre soube que seria.

Influenciando outras pessoas

Com as bochechas vermelhas e contendo uma risadinha, o pequeno jornalista me conta um momento engraçado que viveu sendo zagueiro. “Uma vez, um jogador do time adversário estava driblando toda a defesa do meu time. Eu fui dar um chutão na bola para desarmá-lo, mas peguei muito mal e marquei um golaço contra”, explica entre sorrisos.

Sua irmã Sofia tem apenas oito anos, mas já não aguenta mais ouvir João falar sobre esportes. Ela também gosta de futebol – acha algo emocionante e legal, mas me confessa baixinho que o irmão tem um vício exagerado. “Isso é mais ou menos legal”, conta. Apesar de se irritar de vez em quando, confessa que ele já a ensinou várias coisas legais, como a regra do impedimento, por exemplo. A menina não quer ser bailarina, e sim, jogadora de vôlei. Parece que o amor por esportes está no sangue da família.

A infância é a melhor época para imaginar. Fingir entrevistar alguém, dançar na pontinha dos dedos dos pés ou desfilar em uma passarela improvisada: o importante é sonhar e ser feliz. Quem sabe assim, quando essa criança crescer, ela lembre de todos os motivos que a fizeram seguir por determinado caminho. Eu lembro dos meus e João certamente saberá os seus.

*Texto redigido para a aula de Jornalismo de Revista com o tema esporte.

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