A bagunça organizada dos irmãos Couto

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Foto: Blog Desilusões Perdidas

Luzes vermelhas contrastavam com panos brancos, tapetes e flores. Cadeiras estampadas e douradas, cortinas em vários tons de bege, velas decorativas e uma estante de livros doados, davam o toque final. Em uma recepção digna de estrelas, a caminhada até a mesa de informações e cadastros causava curiosidade e encanto em todos os participantes do evento. Elegante e inovador, a sétima edição do Festival Interdisciplinar de Comunicação (ICOM), no Instituto Blumenauense de Ensino Superior (Ibes Sociesc), deu um verdadeiro giro de 360º em matéria de comunicação. A abertura do festival foi feita no auditório da instituição, onde alunos da 5ª fase de jornalismo e publicidade e propaganda – organizadores do evento – convidaram os coordenadores do curso e o diretor Anselmo Medeiros para fazer o pronunciamento oficial do ICOM.

Os paulistas Anderson Couto e Emerson Couto, irmãos gêmeos de 41 anos, realizaram na segunda-feira (2), a palestra principal da noite. Aguardando o início do evento, os irmãos aparentemente tímidos, conversaram com os organizadores com uma simpatia nítida. Com um currículo de sucesso, eles comandam o blog Desilusões Perdidas, uma verdadeira febre entre estudantes e jornalistas – os “focas”, como são conhecidos.

A estudante de jornalismo da 5ª fase e uma das organizadoras do evento Suelen Eskelsen, conta que os irmãos foram escolhidos para falar de suas experiências justamente pelo tema do evento, que é Comunicação 360º. “Eles possuem uma carreira profissional semelhante. Já trabalharam em jornal impresso, fizeram roteiros para programas de TV, são donos de um blog e também utilizam as mídias sociais para o trabalho. Os irmãos trabalham com humor, o que não é muito comum no jornalismo. Então, são diversas áreas dentro da comunicação, o que faz dar um giro de 360º”, explica a estudante.

Turmas diferentes, unidos pelo mesmo amor

Desde pequenos, gostavam de ler e escrever ficção. Ser jornalista foi natural e não se imaginam fazendo qualquer outra coisa. O currículo dos gêmeos é impressionante. Fizeram roteiro para o programa Sensacionalista do Multishow e até escreveram para o famoso jornal do litoral catarinense Diarinho. Apaixonado desde sempre pela profissão, Anderson fala que “o jornalismo não está acabando, contar história não vai acabar nunca”.

Boa parte da experiência dos gêmeos vem do jornal impresso. Emerson iniciou o curso de jornalismo na Universidade Metodista de São Paulo e Anderson se matriculou na mesma instituição um ano depois. Formados, os dois realizaram um curso no Estadão, onde trabalharam por 10 anos. Passaram pela editoria de esporte onde Emerson pode realizar seu sonho de cobrir a Copa do Mundo da França em 1998. Como era mais novo e menos experiente do que outros repórteres, estudou francês durante três anos – qualidade que o diferenciou. Aos 24 anos cobriu a Copa pelo jornal, realizando seu sonho.

Os irmãos falaram sobre a essência do bom jornalista e também sobre as mudanças tecnológicas da profissão. Relataram a dificuldade de fazer uma pesquisa no arquivo do jornal e de tirar fotos com câmeras analógicas em jogos de futebol, por exemplo, onde só conseguiam imagens do primeiro tempo. “Hoje temos a tecnologia em nossas mãos, não dependemos mais de ninguém”, relata Anderson.

A inspiração dos jornalistas vem muitas vezes de histórias reais, vividas pelos dois. Esses relatos divertidos e inusitados inspiraram outras pessoas, como no caso da estudante de jornalismo do primeiro semestre, Karen Elizabeth Mariano. “A palestra mostrou a realidade de ser jornalista, fez crescer a vontade de continuar no curso para poder vivenciar as experiências dos palestrantes, por mais que as dificuldades sejam grandes”, conta.

Desilusões nem tão perdidas

Há mais de 10 anos, os gêmeos trabalham de forma independente. A ideia do blog surgiu em 2008, mas seu primeiro post foi publicado apenas em 2009. As histórias giram em torno de Duda Rangel, um personagem fictício, mas cheio de manias. O desafio era criar o perfil de Duda: um jornalista desempregado, divorciado, ferrado na vida, mas acima de tudo apaixonado pelo jornalismo. Duda precisava criar uma empatia com o público e foi exatamente essa função que Carlos Eduardo Rangel – nome completo do jornalista – exerceu nos leitores.

O nome Desilusões Perdidas é baseado em um livro que os irmãos dizem ser indispensável aos amantes de literatura e jornalistas: Ilusões perdidas de Honoré de Balzac, publicado em 1843. Emerson explica que “apesar do nome, o blog quer mostrar o contrário, que a paixão é a base de tudo.” Esse trocadilho traduz a proposta do blog, que é tratar de assuntos sérios sem perder o bom humor. Embora os textos sejam produzidos separadamente, os irmãos sempre levam em conta o perfil de Duda, pensando como ele. As histórias possuem tanta qualidade, que muitos nem suspeitam que o blog seja escrito por duas pessoas.

A brincadeira organizada surgiu com o propósito de “desglamuralizar” a ideia da profissão, que muitas vezes é mal vista. Em 2012, os irmãos lançaram o livro independente A vida de jornalista como ela é. Com 120 textos, a obra segue a mesma proposta do blog. Atualmente, o livro é vendido pela rede social Facebook em todo o Brasil. Anderson conta que o sucesso foi tanto, que o livro terá sua segunda edição, e logo será adaptado para uma série na TV ou mesmo online.

Ao final da palestra, em uma pequena mesa, livros dos irmãos Couto estavam empilhados. Eles observavam os focas, que já faziam fila para tirar fotos e pegar os autógrafos. Entre risadas e conversas altas, o auditório do Ibes Sociesc ficou pequeno para tanto talento, e a decoração – antes chamativa e elegante – tornou-se uma simples coadjuvante.

Saiba como comprar o livro A Vida de Jornalista como ela é aqui.

Matéria redigida para a aula de Redação Jornalística sobre o ICOM 2014 – Festival Interdisciplinar de Comunicação.

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