A nova expressão da escrita

Foto: We Heart It

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Em formato de livro, cinema ou e-book, a literatura garante seu espaço na vida dos jovens

De estrelas a papéis, passando por Alaskas e Katherines. O autor best-seller John Green, vem se tornando uma verdadeira febre entre os jovens, com livros traduzidos para mais de 12 idiomas. Além do mundo literário, ele mantém um canal no youtube em parceria com seu irmão Hank. Essa popularidade de John na internet, fez com que muitas pessoas comprassem seus livros, tornando-o um verdadeiro fenômeno mundial. Mas afinal, qual é a fórmula mágica de Green?

O livro A Culpa É das Estrelas, alcançou fama mundial e têm sua estreia nos cinemas brasileiros no dia 6 de Junho de 2014. Para a estudante de jornalismo e amante de literatura Tatiane Signorelli, de 19 anos, o segredo de John Green é o bom humor. “Acredito que o escritor faz sucesso porque suas histórias são gostosas de ler. Até mesmo em A culpa É das estrelas, que pela sinopse parece ser um drama, é possível se divertir com a autoestima dos personagens”. Já para a estagiária Faénna Gonçalves, de 17 anos, que participa do grupo de John no facebook, ele coloca sentimento no que escreve. “Ao ler seus livros a gente sente o que os personagens sentem, a gente vive junto com eles,” relata.

Brenda Loureiro, de 16 anos, colega de Faénna do grupo de John na rede social, fala do escritor como se ele fosse seu melhor amigo. “Ele tem uma liberdade com os leitores. Se precisamos de ajuda, lemos seus livros. Sinto como se ele fosse nosso conselheiro, em especial o amoroso, pois todas as garotas querem um Augustus Waters. O John sabe aonde quer chegar, seus livros tocam em nossos corações, nos fazendo chorar, rir e nos deixam querendo mais. Ele é meu autor preferido!”, explica a estudante.

Escritores consagrados na atualidade

Além do amado John Green, há outras mentes que merecem destaque. Em muitos casos, o interesse por um autor pode ser iniciado em uma frase que foi postada em algum blog ou em alguma fan page do facebook. A famosa Clarice Lispector, junto a Caio Fernando Abreu e Paulo Leminski, são exemplos disso. “Adorava ler aquelas frases que você encontra por todos os cantos da internet. Um dia, comprei um livro do Leminski e depois disso, nunca mais parei de ler. Hoje, leio de tudo, mas meu precursor sempre vai ser ele”, exemplifica a estudante de direito, Laura Meneghel, que aos 22 anos, apenas vê benefícios que foram gerados a partir do novo meio de entretenimento. Entretanto, em muitos casos, são as trilogias ou as coleções que encantam os olhos, a mente e o coração de adolescentes, jovens e adultos. E.L. James, escritora da série erótica 50 Tons de Cinza, Stephenie Meyer, responsável pela saga Crepúsculo, J.K. Rowling, conhecida mundialmente por lançar a série de Harry Potter, referência até hoje para muitos escritores e leitores – são alguns dos vários exemplos que podemos encontrar quando nos referimos a fenômenos literários. Afinal, emplacar milhões de fãs ao redor do mundo não é para qualquer um.

A literatura no Brasil

No Brasil, a concentração de leitores está focada no público jovem. Considerando que estamos vivendo a era da tecnologia, possuir jovens que ainda se interessam pela leitura é uma grande conquista. “Ainda que haja uma comercialização de livros considerável, o acesso fácil à leitura online e os famosos e-books, conquistam a simpatia de muitos”, comenta a vendedora de uma loja de livros, Nádia Pereira, e acrescenta que no que se refere aos gêneros “são variados, mas a demanda atende a todos os gostos e a cada minuto, novos livros estão sendo lançados e novos leitores conquistados”.

A estudante Tatiane Signorelli acredita que a maioria dos escritores brasileiros que são conhecidos, não agradam o público de leitores jovens. “Acredito que toda vez que eles veem um novo autor, acabam julgando pelos livros de Paulo Coelho e imaginando que sejam histórias parecidas com os clássicos, como José de Alencar e Machado de Assis”.

A importância do incentivo

Desde cedo, quando a criança aprende a formar as primeiras palavras, deve ser dado início ao processo de incentivo. “É importante que as crianças não somente leiam, mas entendam o porquê de estarem fazendo isso e a importância que isso possui”, explica a pedagoga Mirian Slomp Zermiani. Ela admite sempre ter incentivado seus filhos a leitura, ainda que não sejam tão aptos da mesma. “É uma questão muito pessoal, mas, os pais e professores têm como obrigação dar o primeiro empurrão. Se as crianças não quiserem seguir essa linha, fica a critério delas”, acrescenta, deixando claro que é importante observar qual é o gosto literário que a criança possui, para que a leitura se torne mais prazerosa e não gere sentimento de obrigação.

Outra atividade importante que é realizada em muitas cidades é a Feira de Livros, que disponibiliza através de preços acessíveis, uma variedade interminável de opções literárias. “Quando estou em uma feira, não me preocupo em quanto tempo passou, apenas quero ler e reler sinopses e sair de lá com o tanto de livros que puder carregar”, diz a leitura assídua Laila Maus, que tem 23 anos e adquiriu o hábito de ler diariamente. “Cada novo capítulo é uma nova concepção, de tudo. Uma nova ideia, uma nova palavra, uma nova interpretação. Não trocaria minhas horas de cultura e lazer por nada”, garante a fã do gênero de terror.

Livros x filmes

Ler um livro, imaginar os personagens e criar um com as características que você acredita que ele deve ter, é uma das atividades preferidas dos leitores. A partir do momento que o livro é adaptado para o cinema, sua essência muitas vezes é perdida. Aquela garota loira fica morena, quem é baixo fica alto e quem no livro morre, no filme permanece vivo. Essas são algumas das coisas que as adaptações fazem, por isso o público tende a não criar altas expectativas. Tatiane diz que a maioria decepciona muito, “cortar partes para o filme não ficar muito longo é compreensível, mas a maioria muda bastante a história. Mas apesar disso, existem algumas exceções que surpreendem por serem tão fiéis.”

Alguns escritores dedicam anos de suas vidas para escrever o livro perfeito. Ben Sherwood, autor de Morte e Vida de Charlie St. Cloud, passou anos morando em um cemitério, apenas para descrever essa experiência detalhadamente. Sara Gruen, autora de Água para Elefantes, estudou e acompanhou circos durante anos, a fim de entender como funcionam os maiores espetáculos da terra. Esse estudo que os escritores fizeram, contribuiu para a construção perfeita dos cenários em suas obras. Para Brenda Loureiro, é sempre mais difícil adaptar um livro onde o trabalho de pesquisa do escritor foi tão detalhado. “Quando o livro tem tantos detalhes, o filme nem sempre se importa com alguns deles, mas para nós leitores, até a cor da blusa do protagonista faz diferença,” relata.

A fórmula mágica dos grandes escritores que atraem o público – em especial o jovem, não é nenhum teorema que precisa ser resolvido. Entre cidades de Papel, em Alaska ou nas estrelas, John Green e outros escritores, poderão fazer a mente dos leitores e assumir a culpa, que com certeza é deles.

Texto redigido para a aula de redação jornalística II, em parceria com minha colega de curso Aline Christina Brehmer do blog Asas de uma leitora e jornalista.

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