Resenha: Todo dia, de David Levithan

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Foto: We Heart It

“Acordo. Imediatamente preciso descobrir quem sou. Não se trata apenas do corpo – de abrir os olhos e ver se a pele é clara ou escura, se meu cabelo é comprido ou curto, se sou gordo ou magro, garoto ou garota, se tenho ou não cicatrizes. O corpo é a coisa mais fácil à qual se ajustar quando se está acostumado a acordar em um corpo novo todas as manhãs. É a vida, o contexto do corpo, que pode ser difícil de entender”.

David Levithan mostrou-se um escritor incrível. Nesse livro, ele levou a criatividade a um novo patamar. Confesso que só conhecia o trabalho de David pelo livro que ele escreveu em parceria com o John Green – Will & Will. Esse é o primeiro livro só do autor que leio e com certeza não será o último. Uma das primeiras coisas que chamou minha atenção foi a capa, que é lindíssima e ao mesmo tempo diferente. Depois, me interessei pela história e pelo fato de eu realmente não saber como ela iria se desenrolar.

Toda manhã A. acorda em um corpo diferente. Já foi mulher, homem, doente, homossexual, dependente químico, magro, obeso. Não importa qual seja seu corpo, ele precisa se adaptar. Para tornar as coisas mais fáceis, consegue acessar a memória das pessoas em que está habitando, sabendo como ela pensa e age. Com essas informações, pode fingir perfeitamente ser aquela pessoa sem influenciar na vida dela.

A vida de A. é guiada por duas regras fundamentais: não interferir e nunca se apegar, apenas tentar passar o dia da melhor forma possível e aceitar que essa é a vida que leva.

Em um dia normal, A. desperta no corpo de Justin, só mais um humano que amanhã será apenas uma vaga lembrança. Ele toma café e vai até a escola. Ao chegar lá, descobre que Justin tem uma namorada. Seu nome é Rhiannon,  incrivelmente bonita e vulnerável. Ela faz tudo por Justin, embora ele não dê valor. A. logo percebe o quanto ela é triste por isso e como seu humor depende das ações do namorado. É aí que ele faz o que não deve. Resolve matar aula para levar Rhiannon até a praia. Lá eles passam um dia maravilhoso, conversam e trocam beijos. Ela fica muito feliz, no fundo não acreditando que aquele seja o Justin que ela namora. A. resolve ser por um dia tudo aquilo que Justin não é. Conforme o dia vai passando, A. sabe que não vai esquecer de Rhiannon. No fim do dia ele se despede, com o desejo de poder vê-la sempre e ser uma pessoa normal.

No outro dia, ele acorda como Nathan. Ele é um bom garoto. Seu quarto é arrumado, faz o dever de casa e tem uma boa família. A. acorda e vai checar seu e-mail. Como ainda lembra da senha de Justin, decide invadir a conta dele a fim de descobrir onde o casal estaria hoje. Logo descobre que há uma festa na casa de um amigo de Justin. Quebrando as regras novamente, mente para os pais de Nathan e vai até a festa, onde conversa com Rhiannon e até dança com ela. Ao sair de lá, percebe que é quase meia noite e que não vai chegar a tempo em casa, então para o carro em um acostamento e dorme ali mesmo, torcendo para que fique tudo bem com Nathan e pedindo desculpas silenciosamente.

Esse acontecimento mudaria o rumo das coisas, uma vez que Nathan colocou na cabeça que não estava controlando o próprio corpo no dia da festa. O garoto começou a espalhar que estava possuído e a notícia logo aparece nos jornais. Ao entrar na sua conta de e-mail, A. vê que recebeu algo de Nathan, onde ele exige saber quem ele é e o que fez com ele naquela noite. Imediatamente, A. percebe que deixou seu e-mail logado no computador de Nathan, esquecendo de limpar o histórico. Sabia que não se livraria do garoto tão cedo.

Ao mesmo tempo, A. tenta entrar em contato com Rhiannon todos os dias, em mil formas e corpos diferentes. Sabendo que está apaixonado por ela, resolve correr um grande risco: contar toda a verdade. Agora o destino de A. está nas mãos de Rhiannon: ela deve escolher entre A. e seu namorado e também conviver com o fato de estar com uma pessoa diferente a cada dia.

Mas como esperar que uma pessoa com uma vida normal possa se adaptar ao estilo de vida de A.? E até quando interferir na vida dos outros corpos é justo?

Descubra você mesmo.

“Que história é essa sobre o instante em que você se apaixona? Como uma medida tão pequena de tempo pode conter algo tão grande? De repente, percebo por que as pessoas acreditam em déjà vu, por que acreditam em vidas passadas; porque não há meio de fazer com que os anos que passei na Terra sejam capazes de resumir o que estou sentindo. O momento em que você se apaixona parece carregar séculos, gerações atrás de si – tudo isso se reorganizando para que essa interseção precisa e incomum possa acontecer. Em seu coração, em seus ossos, por mais bobo que você saiba que é, você sente que tudo levou a isso, que todas as flechas secretas estavam apontando para este lugar, que o universo e o próprio tempo construíram isso muito tempo atrás, e agora você acaba de perceber que chegou ao local onde sempre deveria ter estado”. 

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4 Respostas para “Resenha: Todo dia, de David Levithan

  1. Li o livro!!! Em três dias, praticamente devorei haha É muito bom. Muito, muito, muito bom. Torci muito pra não me decepcionar no final, e não me decepcionei, mas, se pudesse, eu mudaria. *SPOILER SPOILER* Achei que o A finalmente tinha achado um corpo de um pessoa legal para ficar. E achei mesmo que ia. Uma pena que não ficaram juntos.

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  2. Comprei esse livro, estou me segurando para começar a ler (tenho que terminar outros dois, me fiz essa promessa). Li só o começo da resenha, porque fiquei com medo de spoiler. Depois venho aqui comentar o que achei.
    Abraços 🙂

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